Diamante – Curiosidades Históricas: O “Estrela do Sul”

18 maio 2021

O diamante conhecido por “ESTRELA DO SUL”, ganhou notoriedade por algumas razões. Foi o primeiro diamante brasileiro que ficou conhecido
mundialmente. Adicionalmente, como poucos diamantes mundo a fora, sua história foi muito bem documentada.

De acordo com Dufrénoy (1856), no fim do mês de julho de 1853, uma escrava que trabalhava no garimpo do rio Bagagem, próximo à atual cidade de
Estrela do Sul (nome dado pelos portugueses devido à descoberta desse diamante), Minas Gerais, achou o diamante que pesou 261.38 quilates (convertidos do peso à época, 254.5), pela descrição de Dufrénoy, o diamante bruto media 42x35x27 mm.

Como recompensa pela grande descoberta e por ter entregue o diamante aos donos do serviço do garimpo, a escrava, além de ter conquistado sua alforria, obteve também de seu senhorio, uma pensão vitalícia. Por mais de um século, o “Estrela do Sul”, manteve o posto de maior diamante já encontrado por uma mulher, somente em 1967, no Lesoto, Ernestine Ramaboa, superou o feito da escrava alforriada, encontrando um surpreendente
diamante de 601,26 quilates.

Como mineralogista e professor no Museu de História Natural de Paris, o francês, A. Dufrénoy e seu associado M. Lemaître, nos proporcionou, em primeira mão, uma descrição detalhada da gema da qual era formado o “Estrela do Sul”. O primeiro dono desta pedra foi um tal de Cassimiro que a
vendeu imediatamente após sua descoberta por 3,000 libras, aparentemente abaixo de seu valor no mercado internacional.

diamante  Diamante

Dois anos depois de ter sido vendido, o “Estrela do Sul” ainda em bruto, foi revendido por 35,000 libras e em 1855 foi exibido na Feira Industrial de Paris, naquele momento pertencia a Messrs. Diz a história que os irmãos Halfen, comerciantes de diamantes em Paris, batizaram o diamante, de
“Estrela do Sul ou Étoile du Sud.

Entre 1956 e 1857 o “Estrela do Sul” foi levado para Amsterdam para ser lapidado pelo Sr. Voorzanger da empresa Coster. O processo de lapidação demorou três meses. A forma de travesseiro oval (elongated cushion) adotada, uma forma elegante, permita um reflexo melhor da luz. As medidas finais da pedra lapidada 35x29x19, caracterizava um brilhante de grande face. A cor foi descrita como “rosa bastante pronunciado” ou “decididamente rosa”.

Depois de lapidado, o Estrela do Sul ficou com 128.48 quilates. O “Estrela do Sul” foi revendido e encrustado no fabuloso colar juntamente com outro espécime também oriundo do Rio Bagagem o “English Dresden” (motivo de outra história) de propriedade do Marajá de Boroda e lá permaneceu por mais de 80 anos.

Somente em 2001, depois de mais de 50 anos sem ser noticiado, o “Estrela do Sul” foi apresentado, por pessoas que não querem se identificar, para certificação no Gubelin Gem Lab que analisou e apresentou uma descrição detalhada do brilhante:
Peso: 128.480 quilates.
Lapidação: Antique Cushion, levemente assimétrico.
Dimensões: 34.21×28.10×18.72 mm;
Medidas da Mesa: 21.10×18.80Profundidade total: 66,6%
Cor: Fancy Light Pinkish Brown – Leve marrom róseo.
Pureza: VS2 – very small inclusions
Tipo: Type IIa.

colar com diamante estrela do sul

Do Livro “GEMS & GEMOLY IN REVIEW – COLORED DIAMONDS” – JOHN M. KING

 

Carlos Morato Dias, Estrela do Sul Mineração Ltda.

 

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